Sobre o morro da escarpa de xisto a poente, destaca-se na paisagem da Quinta do Crasto a capela de Nossa Senhora do Amparo, cuja primitiva construção remonta ao século XVII. A 10 de Julho de 1660, faleceram, em Vila Real, duas das filhas dos proprietários de então – André Fernandes de Magalhães e sua mulher D. Maria de Sampaio – o que terá levado o casal a reforçar as suas intenções piedosas na Quinta do Crasto. Aqui, no ponto mais alto junto ao rio Douro, o casal mandou erigir a capela de Nossa Senhora do Amparo, procedendo, em 1666, à escritura de instituição, em que a dotou, para sua manutenção e missas anuais, com 6 alqueires de trigo e 21 almudes de vinho anuais, de foros que recebia de outras terras.

Nas Memórias de Vila Real, de 1721, nas notas relativas a Gouvinhas, pode ler-se: «No distrito desta freguesia há uma quinta chamada do Crasto, que parte com o rio Douro, e nela há uma capela cujo orago é Nossa Senhora do Amparo, e há notícia que tem bens vinculados com obrigação de missas, e que a instituição dela está em poder de João José, da cidade do Porto». Um pormenor na fachada da Capela de Nossa Senhora do Amparo, por cima da entrada, chama a atenção do visitante para a data de 1816, possivelmente a data da última reconstrução.

No seu modesto interior, podemos encontrar uma pintura dedicada a Nossa Senhora do Amparo com a inscrição «Mandou pintar este quadro Manuel José Vilela da freguesia de Covas, 1881». Sinais de uma fé religiosa que foi passando de geração em geração, de proprietário em proprietário.

A beleza deste ponto de interesse da Quinta do Crasto é de uma simplicidade desarmante. A panorâmica de 180 graus sobre a albufeira de Bagaúste e o ambiente paisagístico natural marcado pelo olival centenário, pelos desenhos das vinhas e pela rusticidade do solo, só possível de ser trabalhado por homens e mulheres de fé inabalável, trazem a este lugar um carácter ainda mais divino, não fossem o azeite e o vinho símbolos incontornáveis da religião católica. Anualmente é aqui celebrada uma eucaristia de bênção à quinta e a todos os seus proprietários e trabalhadores.